Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 25 2011

 

 

ABRIL DE CRAVOS

Poetas apareceram p’la tarde
Músicos e tantos cantantes
Chegou a chama da felicidade
Num Abril de cravos flamejantes

As gentes riam chorando
P’ra felicidade de tantos
Nas Igrejas se foi orando
Sorriram fieis e os Santos

E por aquele Abril novo
Muitos, muitos lutaram
Nas prisões apareceu o povo
Libertando os que sonharam

Vários Sois por Abril já passaram
E algum povo ainda acredita
Mas... corações já se desgastaram
Nesses a esperança já não habita

Que fizeram ao nosso acreditar
Gentes de pouca vergonha
O cravo não consegue medrar
E o povo de agora já não sonha

A revolução dos homens se vai
Na crista da onda da esperança
O belo sonho cambaleando, cai
No puder, que pouco a pouco avança

Desaparece o sorriso da gente boa
A liberdade está emudecendo
Hoje de mansinho outros vão na proa
E o Abril de cravos vai entristecendo

Era o Abril na história duma vida
Que tarde o bem fez chegar
A bandeira desfraldada vai sumida
Na Pátria que o povo quer amar

De. Fernando Ramos
publicado por Fernando Ramos às 22:01
editado por appoetas em 26/04/2011 às 18:29

Abril 10 2011

 

 

PEQUENA PRINCESA


Como gostava de ser princesa
E calçar sapatinhos de cristal
Viver num castelo de farta mesa
Receber brinquedos p'lo Natal
Quero brincar agora, que sou menina
E de noite com as estrelas sonhar
Engano a fome desde pequenina
E vou levando a vida a trabalhar

Minha idade, é de brincar com bonecas
Mas faço casaquinhos muito bonitos
Gostava de beber leite em lindas canecas
E na rua não vender docitos
Não devia viver na infância perdida
E ao acordar ser feliz com a alvorada
Sonhar com o sabor da boa vida
E não ter a idade adulta penhorada

Adorava ver minha mãe sempre feliz
E comer com os irmãos pão de centeio
Não passo de uma menina infeliz
Com vontade de fugir deste meio
Sou uma criança triste e já adulta
Que sofre da ganância que leva ao caos
Queria comer bem, e aprender a ser culta
Não ser explorada por homens maus

Como gostava de brincar apanhada
E com outras meninas fazer a roda 
Precisava muito de ser amada
E de vestir roupinhas da moda
Era tão bom poder jogar à bola
Ir à praia molhar os pés no mar
Não devia mais faltar à escola
E sem carinho não voltar chorar

Sou filha de um operário Cristão
Que finge, que a fome não rói
Sonho com arroz e um pedaço de pão
P'ra enganar meu estômago que dói
Trabalho p'ra miséria não me comer
E sonho com bicicletas de selim já gasto
Nelas vou pedalando a correr
Fugindo desta sorte de mau repasto

Levanto-me ao tocar das seis em ponto
P’ra mais um dia de pobreza farta
Trabalho de manhã à noite, e já não conto
Minhas lágrimas límpidas cor de prata
Sou uma menina que sonha em ser ave
E voar pró mundo das princesas felizes
Poisar junto de gente, que não sabe
Do triste canto das crianças infelizes

de: Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 19:03
editado por appoetas em 22/04/2011 às 18:22

Março 16 2011

 

BRINDAR À VIDA


Quando não complicamos,
a vida é um céu azul 
Que nos inspira, 
e promove a festa ao coração, 
que nos vai enchendo 
de felicidade e amor

Ela é feita de laços, afectos,
pequenos gestos e carinhos
Porquê então pensar que nada 
de positivo nos acontece,
e que o bom 
só está próximo dos outros

 

Se quisermos não é bem assim, 
as oportunidades da vida 
também nos caem nas mãos
Só as temos de agarrar,
com a força de quem é vencedor 
e não o vencido da batalha

Como se tivessemos a disputar 
uma partida de xadrez, 
jogando as pedras certas, 
nas casas respectivas,
que nos faz dar o cheque mate 
à fatalidade

 

O melhor portanto,
é não nos metermos 
por maus atalhos, não complicar, 
e brindar ao prazer da vida, 
que até poderá ser
com um bom nectar Porto Vintage

 

de: fernando ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 18:31
editado por appoetas em 23/03/2011 às 12:48

Março 16 2011

 

 

LEMBRANÇAS E DESESPERO


Foi embora o Outono,
e não me deixa saudades
Suas noites são frias,
melancólicas, e silenciosas
E junto à lareira, no calor 
de sua fornalha, adormeço 
preso a um livro de acção,
por vezes tão sombrio 
como a noite

As noites de Outono 
não me trazem boas memórias
Foi numa delas, que perdi aquela 
que era o meu doce viver 
Agora, me resta apenas um livro, 
e a brasa da minha lareira, 
que não aquece meu coração 
cheio de cicatrizes

 

Por vezes sussurro a Deus,
zangado por sua insensibilidade
que trouxe esta solidão,
que me leva, à absoluta dor
“És tão cruel meu Deus,
porque não me levas
para junto de quem me trazia
a quentura da alma”

Aqui estou só, nestas noites frias 
onde rasgo lembranças de desespero 
num grito alvoraçado,
que vai em busca da louca paixão
Que se encontra no seu 
porto seguro da eternidade, 
e me deixa aqui a morrer 
de perene saudade

 

Vivo no sonho de encontrar
a luz para ir no seu caminho 
Meu amor partiu, 
e deixou a perplexidade
no fundo de mim, 
como uma dança oculta,
que é uma constante 
na minha vida
Dela apenas desejo um abraço
outra vez, puro Indivisível 
como a flor
É a minha paixão
de manifesto, lucidez

 

de: fernando ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 16:20
editado por appoetas em 23/03/2011 às 12:49

Março 05 2011

 

ESPELHO SEM DÓ

 

Estás sentada, 
e na tua frente o espelho
Olhas o rosto, 
e reparas nas tuas rugas, 
e pensas: 
Como o tempo passou meu Deus!
E notas que ruga após ruga
há nelas histórias de tua vida,
escritas num livro 
onde diariamente deixas momentos 
vencedores e vencidos,
até o inicio de vida a dois lá está

quando eram ingênuos, e daí?...

pensas!

 

Um grande amor te aconteceu
e contigo vive até hoje,
apesar de já ter passado alguns anos
Anos de muitos altos e baixos,
anos que trazem lembranças 
de bons e menos bons registos
Olhas p’ro lado do espelho
e vês fotos de quando eras 
muito mais nova
Uma lágrima cai no teu infinito,
e voa numa leve brisa de tristeza

De repente, te lembras dos filhos, 
aí sorris... 
Sentes saudades das suas meninices, 
ou quando em bebés te sugavam os seios,
na sua sofreguidão de viver , 
oferecendo-te um feliz natal à vida
Isso por momentos te conforta,
mas novamente a tristeza surge

em teu rosto 
Outra ruga que teimosamente se vinca 
na tua pele, traz mais recordações 
menos positivas, 
como quando foi a saída 
dos filhos do teu lar, 
porque também eles 
encontraram o seu grande amor

 

E outra lágrima acontece, 
mas esta não chega 
ao teu infinito diário de recordações
Porque apesar de estares menos jovem,
contigo ainda está o amor de tua vida,
que o preservas como um acto de posse
e que, ainda te preenche as noites 
e te as torna sempre doces, 
nem que seja só

p´ra te aconchegares a seu peito 

e sentires seu calor, e o seu respirar,

recordando que e só tu e ele

sabem dos tantos enlaços 

E, então, com um sorriso 
lembras-te que na morna luz da tarde,
com ele passeias todos os dias 
p’lo parque verde do bairro, 
onde tantas, e tantas vezes se amaram, 
como um poema de Florbela Espanca

 

Maldito espelho sem dó, 
pensas:
Porque me envelheces?
E outra lágrima cai 
no teu colorido jardim 
de lembranças

 

de; Fernando Ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 14:54
editado por appoetas em 23/03/2011 às 12:49

Março 03 2011

 

EM NOME DA DEMOCRACIA DELES


Vieram juizes, e homens ilustres
Sábios de lacinho e cartola
Conselheiros, e mais tretas embustes
Maus políticos, e outros tristes de estola

 

E nas entrelinhas do terror

Todos vieram em nome

da democracia deles

 

Vieram os Algozes e seus cães de guarda
Pulhas, corruptos, e mentirosos à carta
Vieram os profetas da desgraça parda
Trazendo o desemprego, a fome,

e a miséria farta

 

E entre rios fragmentados de tristeza

Foi tudo em nome da democracia deles

 

E levaram:
Os católicos, Muçulmanos, Protestantes
Hindus, Budistas e outros Santos

 

E mergulhados no meio da esperteza saloia

Fizeram tudo em nome da democracia deles

 

E levaram:
Os Operários, Agricultores, Professores
As artes, o Desporto, e os Sonhadores

 

E levaram:
Comunistas, Democratas, Socialistas 
Gente de bem e até os Campistas

 

E levaram:
Os pobres, Velhos, Crianças,
Funcionários Públicos, Pastores,
A mim, e todos os outros sem aliança

 

E tudo, mas tudo

Em nome da democracia deles

 

Agora já pouco resta

Pobre Democracia que
em teu nome, tudo fazem,
tudo permitem
e se preparam para nos
dar o inferno

Mas o povo, o povo 
na sua velha sabedoria
Simplesmente diz:

NÃO, NÃO, E NÃO !!!

 

de: fernando ramos

 

publicado por Fernando Ramos às 15:19
editado por appoetas em 23/03/2011 às 12:50

Fevereiro 11 2011

 

FRESCAS FLORES


 

A rosa adorna, esse vestido de cores 
Em teu sedutor corpo sereno
Pareces um jardim num prado pleno 
Num Maio bonito p´ra frescas flores


 

E, em teu cabelo deixo sem favor 
Outra rosa linda como cristal pequeno 
Que nele te fica como um efeito ameno
Empregnado de odor, de todo meu amor

Fica-te bem, e meu coração gosta 
Deixando-o feliz com amor sem fim 
Por saber da flor, que por mim foi posta


É a rosa do meu coração que ama 
Que te torna linda como o jardim 
Num fim de tarde de sol em chama

 

 

 

De: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 23:30
editado por appoetas em 14/02/2011 às 16:21

Fevereiro 09 2011

 

O MUNDO É UMA ORQUESTRA


 

O mundo é uma orquestra
E a natureza faz a música 
Os violinos são como o sol 
Tocando uma obra sublime

 


 

O rufar dos tambores, é a chuva,
Cujas gotas caem com os trovões
Levando a água do rio pró mar
Na mais perfeita harmonia

 


O Planeta gira, gira, redopia
Parecendo a mão do maestro
Dirigindo o tocar dos instrumentos
A caminho de uma nota só


O mundo que nos rodeia
É a beleza humana com suas
Tragédias e acasos, como um
afinar ou desafinar da orquestra
E quando a vida encontra
A magia certa dos instrumentos
Seu ritmo faz dançar o amor

E o mundo torna-se a batuta do maestro
Dirigindo pianos, flautas, e clarinetes,
Por pautas escritas a negro
Funcionando na perfeição, como a arte
de Chopin, Wagner, Mozartt ou Vivaldi

 

A natureza, é uma orquestra perfeita
Quando o homem não fica louco
Obrigando Deus a observa-la
Com lágrima caída, pousando sua mão
Tocando com sentimento de perdão e amor
P´ra que o mundo dance seu bolero
Por favor, poupem o mundo, e deixem
a melodia entrar pura, e cristalina

de: fernando ramos

publicado por Fernando Ramos às 19:29
editado por appoetas em 14/02/2011 às 16:22

Fevereiro 05 2011

 

 

ACORDAR


Haverá uma noite
Que nos roubarão as estrelas
Outra, que nos roubarão a Lua
Haverá um dia
Que nos roubarão as arvores,
As mimosas, as rosas
e até o Jasmim


Haverá noites
Que nos irão roubar a música,
As telas dos Pintores
Os livros do conhecimento,
A nossa alegria das tertúlias poéticas
E alegria das gentes de bem
Que sem nada em troca
Entregam solidariedade


Haverá noites que irão roubar
Os beijos, os abraços e as histórias
Que as mães contam aos filhos
E nós povo cordial e calmo
Assistiremos a todos estes roubos
Que quando acordarmos,
Já nos roubaram a paz


E cercados por abutres
Que em noites e dias
Nos desnudaram
E nos sugaram sem piedade
Ficaremos sem trabalho
Sem voz, sem cidadania
E sem amor


Acorda povo
E grita aos Deuses da liberdade
Antes que seja demasiado tarde


De: Fernando Ramos

publicado por Fernando Ramos às 18:16
editado por appoetas em 14/02/2011 às 16:23

Janeiro 18 2011

 

LISBOA CIDADE DE PAIXÕES


 

Tenho Lisboa de muita honra
Bem juntinha ao coração
Ela é linda, e não desonra
Quem cá vive em sedução


 

Esta cidade de mil paixões
Como poucas que há no mundo
Ama os seus lindos pregões
Com sentimento profundo


Nela, corre um rio sem igual
Num destino com regresso
Que, quando chega ao seu final
Tem um mar sereno, e não perverso


Lisboa, de labirintos e caminhos
E gentes de muita história
É cantada em sobradinhos
Por fadistas com memória


E nesta cidade lavrada em trinados
Por guitarras de fino recorte
Há bairros onde são escutados 
Poemas de amor, dor, e morte


Lisboa das belas colinas bem altas
Praças, vielas, avenidas e jardins
Vive amores, descritos em pautas 
Vestidos de organdins e cetins

 

de: fernando ramos


publicado por Fernando Ramos às 16:02
editado por appoetas em 25/01/2011 às 15:49

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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